Em algum lugar do passado?

Um amor para toda vida transmite um valor emocional mais que um épico contextualizado - talvez por, devido ao tom atmosférico do melodrama romântico, revelar-se como um singelo estudo sobre segredos escondidos, nostalgia amorosa, memórias que jamais se apagam, valores perdidos e perdas humanas. Como esquecer um amor eternamente lúcido? Abarcando sentidos de amor, paixões, sentimentos e guerra que estilhaça vidas, o enredo foca na história de Ethel Ann (Mischa Barton) e seu forte fascínio ao coração de três amigos da aeronáutica - Teddy Gordon (Stephen Arnell, romântico em sexualização), Jack Etty (Gregory Smith) e Chuck Harris (David Alpay). Apaixonados por ela vivem segredando um desejo. Contudo, Ethel vive seu amor incondicional com Teddy, movida pela paixão passional se casa secretamente com ele, mas no meio do ataque dos japoneses a Pearl Harbor, Teddy parte para a guerra e a deixa, sob um pacto com os amigos, aos cuidados de Chuck, caso ele não retorne. Ele parte com a aliança e a promessa de voltar. Tragicamente, eis o destino cruel: O avião de Teddy bate em uma montanha, Ethel vive o tormento súbito da morte do amor e acaba casando com Chuck. O filme tem três focos narrativos: o plano de 1941 onde se expressa o início da trajetória de Ethel, ainda na juventude; Ethel (Shirley MacLaine) em 1991, e sua vida com a filha Marie (Neve Campbell, bem dedicada à personagem) e o terceiro foco é na contextualização secundária dos personagens de Jimmy Reilly (Martin McCann), um garoto que encontra, junto com Michael Quinlan (Pete Postlewaite), a aliança pertencente Ethel e Teddy, em meio a um resquício de destroços enterrados. Em 1991, quando Chuck morre, cresce a distância entre Ethel e sua filha que não sabe nada sobre o passado materno. Apenas Jack (Christopher Plummer), cujo amor por Ethel nunca desapareceu, sabe o segredo que ela carrega em seu coração.

Eis que o passado de Ethel vem à tona quando Jimmy decide entregar a aliança encontrada. Como enfrentar o passado? Seja para encerrar sua vida, ou começá-la novamente: há de decidir. A narrativa, aliada à montagem, tende a ir e voltar do passado ao presente. Como prosseguir feliz com uma vida sem mágoas? Um amor jamais pode ser apagado? Toda família tem um esqueleto escondido no armário. O roteiro de Peter Woodward direciona reflexões sobre o comprometimento de amar com fidelidade, da devoção sentimental; laços maternos e problemas nas relações de mãe com filha; crise na terceira idade; desilusões amorosas, carência afetiva que causam abalos psicológicos. A trilha sonora de Jeff Danna é introspectiva, melódica nos acordes de pianos, prevalece o tom de paixão em dramaticidade. A fotografia varia em tons fortes de cores quentes nos planos de 1941; tons claros na atualidade de 1991.

E a direção de Richard Attenborough mantém zelo emotivo, priorizando as motivações de Ethel - jovem e já envelhecida, cuja dualidade de comportamento é evidente diante da passagem dos anos. É na personagem que reside a espinha dorsal do filme, o elo e o cerne - todo desenvolvimento sentimental do filme é sobre sua existência. Psicologicamente, Ethel desiste de viver a própria maturidade e abandona a sua alma, após a perda do amor - permitindo-se à depressão, perda da identidade, tornando-se uma mulher amarga e vazia. Na juventude, a beleza física era também favorecida pela sua cordialidade e gentileza benéfica - período no qual, interpretado com ternura por Barton, ela envolve-se no frescor da paixão juvenil. Há momentos de nudez de Misha Barton, em particularmente duas cenas. Já Shirley MacLaine demonstra uma Ethel densa, sofrida e triste na velhice, imersa numa vida perdida.

Observa-se em Ethel o invólucro da feminilidade: de sua fragilidade juvenil, repleta de medos e receios, a sua maturidade: amargurada pelos abalos dos resquícios da perda da existência. O romance prevalece nítido nas pontuações das cenas, mas o drama exerce o verdadeiro predomínio - visto que os personagens, tanto femininos quanto masculinos, envolvem-se nesta teia melodramática. E causa emoção sugestiva.

33 opinaram | apimente também!:

Luigi Lopes disse...

ótimo post como sempre Cris. Preciso!!!! Vou assistir ao filme!!!!

Tânia regina Contreiras disse...

Instigou: vou querer assistir!
Beijos

Marcos Eduardo disse...

Esse post faz "uma ponte" com Volver, aqui jah muitissimo bem descrito pelo senhor. rs. Jah que este, tambem retrata a relacao "mae/filha". Esse filme eu assisti no mes passado no Telecine e fiquei surpreso com a producao. Seria a guerra capaz de fazer amigos compactuarem entre si para "preservar" a vida de alguem?! Shirley faz uma mulher cruel, pois ela elimina de sua vida e do segredo que carrega atras da parede, a sua filha. A cena em que ha "o quebrar do vidro" entre as duas eh de uma densidade e honestidade tamanhas, que somente poucos artistas conseguem realiza-la com tanta competencia. Trabalho impecavel de elenco e direcao. Pena que não se encontre com facilidade nas locadoras ou blogs para baixar. É um grande trabalho de Shirley, Neve e Christopher.

Assistam.

Alan Raspante disse...

Adoro filmes que se passam na Guerra. O nome deste filme não me é estranho, mas acho que nunca vi ele.
E cris respondendo seu recado. Meu amigo eu não tenho cura !
UAHSUHAHSUASHA
Abraços !

Leca disse...

Hummm...
parece muito bom...
vou assistir....esse não posso perder...
beijos
Leca

Mirella Santos disse...

Cris ótimo texto.
Nunca vi esse filme e saindo dos meu príncipios de comentar em filmes que pelo menos ouvi falar, desse nem falar eu ouvi também.
Voltando ao filme eu achei a história muito linda pelo o que você contou, preciso assistir também.

Jenson J, disse...

Mais um dos muitos filmes que você viu, e eu não! Rs!

cristinasiqueira disse...

Oi,

Gosto de seus comentários.Vou assistir novamente porque vale a pena.
Apareça.
www.cristinasiqueira.blogspot.com

Beijos
Cris

Airton disse...

opaa
fazia tempo q nao vinha aki
a mitcha ta bem ae em hehehe
entao nao curto mto filme assim mas se pa vo da uma conferida

tem post novo no blog

thicarvalho disse...

Cristiano, na minha opinião, seu texto é mto melhor que o próprio filme. Tu falou com bastante propriedade sobre as relações apresentadas no longa. Pena que os atores, jovens, sejam tão "mais ou menos", desperdiçando as atuações dos experientes Shirlei Mclane, Christopher Plummer e Peter Pothersvile. Uma pena, pois como o seu texto mostrou, a premissa era mto boa. Abraço e parabéns pelo blog.

Visitem

www.cinemaniac2008.blogspot.com

C@urosa disse...

Olá meu caro Cristiano Contreiras, um belo filme, o amor sempre presente nos momentos de crítica violência (a guerra). Eu acho que a guerra aumenta a necessidade das pessoas se amarem.Parabéns pelo seu trabalho.

forte abraço

C@urosa

Vladir Duarte disse...

Filme lindíssimo... inesquecível. E olha que quando o assisti, era bem jovem, não dava muito valor para romances... mas esse é realmente muito, muito bom!

evandro mezadri disse...

Muito bom seu blog, com dicas interessantes e textos muito pertinentes.
E obrigado pela visita.
Um grande abraço e sucesso!

Ricardo Calmon disse...

Tens idéia ,camarada meu,de um velho menino,receber comentário teu,da forma que emnastes?personas como vc,mio caro ,em camposde girassois habitam,daí meu semear de ti!

abraços meu bom Cristiano,e Viva La Vida!

Janaína disse...

Mto bom esse filme. Passa uma msg linda! Me identifiquei bastante. Vale apena assistir!!

Arthur Dantas disse...

Toda família tem um esqueleto escondido no armário


gostei muuuuuito do teu blog e seu texto me fez ter vontade de assistir o filme (o que é raro de acontecer). Volte sempre ao meu blog, Adão estará sempre por lá, assim como meus devaneios em forma de poesia. Voltarei sempre aqui.

Gusta Fernandes disse...

Esse filme é muito lindo!

Uma ótima dica, quem não assistiu deve assistir. Além do cenário de guerra que é muito interessante, junto ao amor... o filme é realmente inesquecível!

Ps. você quer saber qual o código HTML pra dar movimento as frases?

Abraços!

Kelly Christi disse...

aiiiiii esse filme é lidoooo, perfeito em tecnica e roteiro(me empolguei rrss), nao acha?

bjitos

pseudo-autor disse...

Eu assisti esse no Telecine Light. Gostei muito, apesar de filmes com viés romântico não serem muito a minha praia. Minha única ressalva é que não usaria a atriz Mischa Barton, da série The O.C, como protagonista. Acho ela muito fraquíssima. No mais, o filme é realmente uma surpresa.

Cultura? O lugar é aqui:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Luiz Henrique disse...

Engraçada a coincidência: ontem mesmo eu estava no shopping, escolhendo algum filme pra comprar, e dei de cara com esse que você comentou. Nunca o vi, mas confesso que fiquei balançado com o que li na contracapa. Agora, com seu texto, mudei de ideia: vou lá buscar. Abraço!

... e agora não sumo mais, rs.

Ricardo Jared disse...

Tenha certeza que é um belo filme, eu assisti e confirmo...uma bela resenha tua.
Obrigado pela visita...volte sempre.

Kamila disse...

Adoro filmes assim, desse tipo. A conferir!!!

Fleur disse...

Cris, primeiramente muitíssimo obrigado pelas lindas palavras no meu blog! Adorei de coração! =)
Agora, quanto ao seu, não sou fã de pimenta, mas virei apimentadora. Adoro esse filme! Mandou bem! ;) Um beijo!

Adrielly Soares disse...

Ótimas dicas de filmes.
:)

Avarandados do anoitecer disse...

Obrigado pela visita =]

é... já escreveu algo aqui no blog sobre Pedaco da carne(Eyes Wide Open)? senão... eu super recomendo o filme!


abraços!

Abdoul Hakime Goul Djounoubi عبد الحكيم گل جنوبی disse...

Muito preciso, boa descrição.
Histórias de amor são sempre melhores quando contextualizadas com acontecimentos reais, como uma guerra, no caso deste filme.

Luis Galvão disse...

Eu gosto um pouco desse filme, não tanto quanto você. Belo texto!

jefhcardoso disse...

Ótimo filme. Parabéns por sua escolha!

Cristiano Contreiras, obrigado por seu apoio ao meu blog, amigo! Farei o possível para não decepcionar.

Forte abraço!

Jefhcardoso

Fábio Henrique Carmo disse...

Cristiano,

Seu espaço é excelente. Você tem ótimos textos e o blog é visualmente muito bem elaborado. Também lhe adicionei à lista dos blogs amigos. E muito obrigado pela força que deu ao meu espaço também! Abraço!

Léo Peres disse...

Obrigado pela visita no meu blog. O seu blog é muito bom e com certeza estarei sempre de olho nele.

Abraços!

Úrsula Avner disse...

Olá meu caro Cristiano, vim conhecer seu espaço e agradecer o carinho da visita e gentileza do comentário em meu blog de poesias. Prazer em te receber por lá... Volte sempre que desejar ... Grande abraço e um ótimo domingo.

Daniela Gomes disse...

Lendo seu exto descobri que está é a hora perfeita de revê-lo. Tenho o filme aqui em casa, em meio aos vários outros dramas. Mas acho que não topei com ele nesses últimos meses. Realmente ele apresenta uma trama muito bem trabalhada. Belo texto, ótima explicação.
Obrigada pelo apoio ao meu blog. Já está "linkado" e já o sigo.
Abraços.

Reinaldo Glioche disse...

acho este um filme razoável. Não chega a ser bom, mas tb não é ruim. Contudo, seu olhar nessa crítica o torna, sem dúvidas, mais aprazível do que é de fato.
ABS

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