Tesões amorosos

“Os relacionamentos não realizados são sempre mais românticos”. Como lidar com a casualidade sentimental? O que desperta o desejo sexual? Woody Allen propõe um estimulante universo sobre a irracionalidade, inconstância e buscas no âmbito de relacionamentos amorosos. Vicky Cristina Barcelona é uma deliciosa ode erótica inteligente, um singelo retrato existencial da passionalidade sexual. É um filme que pauta as intensidades e fragilidades de relacionamentos inconstantes da contemporaneidade. O trabalho de Allen encontra-se aqui mais articulado na ousadia elegante, através do cenário de Barcelona onde centraliza sua quente história. O filme concretiza a intenção de abordar um pleno discurso de amor e sexo, um enredo que pauta as nuances dos sentimentos e descobertas da libido humana. Todas as neuroses que caracterizam a febre do estilo de Allen são presentes, porém o lado mais feminino desenvolve-se com requinte de malícia e, através, das relações humanas expressas dos personagens de seu universo é que se pode compreender como os sentidos são verbalizados - sensos de desejo, prazer e sexualidade à flor da pele. Mais que um exercício de sexo, é o comprometimento de expressar o humano como ele é: integralmente frágil, confuso e deliberadamente inconstante. E Allen prova que até os mais descrentes podem se permitir a esses jogos de sedução e sentimentos conflituosos. Qual sentido da fidelidade? A felicidade está interligada aos anseios do sexo? Só é feliz quem arde de desejo? Um retrato que expõe a liberdade amorosa e também sexual, das escolhas sem repressões e dos sentimentos que motivam o ser humano. Eis um filme que instiga com uma premissa bastante banal, mas sedutora por tratar sem pudor da bigamia e das contradições do desejo irrefreável.

Eis o universo de duas americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson). Ambas são amigas que compartilham um elo de sintonia e fraternidade, ainda que distintas no lado psicológico - unidas, porém como água e vinho por terem opostas visões do amor. As duas viajam de férias à cidade de Barcelona, ansiosas por novos ares que concebam também novos rumos às vidas. Vicky é a típica moralista racional que condiciona sua vida com certo metodismo lógico: procura achar explicação para tudo, não se permite aos anseios seus e julga os alheios; cética a tudo, expõe seu lado questionador e uma sinceridade dinâmica, ainda que preserve seu conservadorismo. Como fugir do que sente? Nota-se que este papel de expressar uma moralidade é, na verdade, uma fuga. Ela nada mais é que uma mulher temerosa, aflita pelo que sente, fragilizada pelas escolhas. Já Cristina se afasta dos estigmas da omissão da personalidade da amiga. É instintiva por ser emotiva, exibe um idealismo romântico que concretiza seus anseios de sonhadora; impulsiva e extremamente seduzível - flerta para encontrar a si própria? Sabe o que não quer, mas e o que quer? Seu senso emotivo demonstra seu lado destemido. O universo dessas duas garotas é sensivelmente pontuado com uma narração em off que direciona, revela e determina as ações e motivações destas personagens, de maneira que toda a verve psicológica seja incitada. Nota-se nessas duas uma busca por novas culturas, oportunidades e ares existenciais de um lugar inovador - seria a forma de complementar uma vida pautada no tédio? As amigas buscam diversão, ingressam em Barcelona para acréscimos de conhecimento. Porém, em uma exposição de pintura, ambas conhecem o pintor Juan Antonio (Javier Bardem) - o destino poderia provocar com maior sensualidade? Este homem provoca nas duas um tesão evidente, arrebatador, imediatista. Como controlar os impulsos que fervem o corpo? O ser humano pode refrear o tesão que acelera a irracionalidade? Juan Antonio é a representação da sedução masculina, o pintor espanhol que provoca a turbulência feminina - um típico homem sexualizado, boêmio e másculo caliente que induz o flerte sexual. E ele investe, sem rodeios: flerta, atiça e convida as duas amigas a compartilhar com ele um final de semana à Oviedo. O convite expressa estadia, passeios, boa companhia, bebidas e bastante sexo regado a ménage à trois.

Nota-se em Juan uma sinceridade exímia, ele acredita no seu poder de persuasão a ponto de não mascarar suas segundas intenções. E ele seduz as duas com este súbito convite. Ele funciona como o catalisador da trama: é o senso da sensualidade, da provocação, estimula todos ao redor com sua sede insaciável de sexo. É o elemento-chave que determina virilidade à trama, conduz com masculinidade a percepção sexual. Um fio condutor de puro charme? Porém, Vicky declara-se comprometida com seu noivo Doug (Chris Messina) - com quem mantém um contato superficial por telefone. Como fugir das investidas? Ela exibe seu discurso de mulher fiel, adepta da monogamia, mostra-se contra a esse painel comportamental de luxúria presente em Juan. Ainda que ela sinta-se atentada ao prazer carnal, não aceita trair o seu noivo e nem a si mesma com uma promessa de sexo ocasional. Teria ela satisfação sexual a ponto de negar uma nova relação? Já Cristina representa a feminilidade contemporânea adepta dos flertes casuais, do sexo descompromissado, desprendida de compromisso rígido. Uma mulher passional seria mais liberal aos jogos da sexualidade? Qual sentido do rigor? Ela é a fêmea que corre riscos nos jogos de sedução, permite-se as conquistas liberais de relações que nascem nas intenções do sexo livre. Contudo, Juan e Cristina se intensificam num invólucro de sentimento e paixão efervescente de sexo a dois. Ambos percebem semelhanças, unidos pela boa química romântica. E os dois decidem morar juntos. É então que Woody Allen apimenta seu universo de relações humanas: a ex-mulher de Juan tenta se suicidar, então ele a insere dentro de sua casa sob seus cuidados. Eis que María Elena (Penélope Cruz) surge como uma mulher temperamental, agressiva e impulsiva. Ela se interpõe na relação de todos, mostra-se dominadora compulsória.

O roteiro de Allen acentua sua ode de sensualidade intimista ao colocar o envolvimento de Juan com as duas mulheres: Cristina e María Elena quebram os próprios paradigmas relacionais amorosos. Misturam-se como uma única mulher que representa os anseios de carne, alma e intelecto de Juan. É então que, através da profundidade do roteiro, que as duas envolvem-se numa teia conjugal de plenos interesses e verdades compartilhadas de desejo e sexo. Cristina torna-se o elemento de harmonia na relação destrutiva de Juan e María Elena. Então, acostuma-se em dividir seu homem com a outra mulher - e, inesperadamente, nasce também um desejo nela em experimentar um novo sexo com esta mulher. E ela não rotula sua relação, apenas crê na busca pela satisfação, nos acontecimentos que a vida destina. Ela é a instabilidade concreta que viabiliza um relacionamento a três, traz harmonia à instabilidade do casal espanhol Juan e María Elena. Quase um ponto neutro, ameno, de equilíbrio - e, assim, os três funcionam na febre da paixão. E Allen articula seu discurso provocativo ponderando reflexões - até que ponto um amor se sustenta dessa forma? Existe, de fato, sentimento a três? A personagem de Cristina abstém-se de julgamentos, vive o momento. Contudo, os conflitos nascem. E Vicky fomenta suas dúvidas enquanto vive um casamento de aparências.

O filme investe nas imagens banhadas de cores quentes - retratando uma Barcelona efervescente, amorosa, cidade de prazeres em sensações ensolaradas que pulsa nos pontos turísticos (bela fotografia de Javier Aguirresarobe). A narrativa é apenas um elemento pontuador sequencial, conceitualizador. Através disto, as dúvidas e os sentimentos dos personagens são expostos, um recurso quase literário. As atuações de Hall, Johansson e Bardem são excepcionais - mas, é Penélope Cruz que reina com maestria da sensualidade: sua Maria Elena é temperamental, inconstante e transtornada. Ela entra em cena e tudo tende a pegar fogo - de palavrões, crises, gritos, choros e intempestividade a beijos lésbicos, olhares e gestos delicados. É o misto da sedutora com a neurótica? A luxúria ganha ar de requinte? Só um amor não realizado pode ser romântico? O que consiste normalidade num relacionamento a dois...a três? Quais regras? Woody Allen propõe verossimilhança nas situações onde a câmera apenas percorre os movimentos dos atores, repletos de diálogos naturais e dinamismo-vivo. É como observar um simples cotidiano sobre determinadas pessoas, cada intimidade ali exposta. Há humor acentuado e contexto inteligente, característico do estilo Allen. A saborosa música-tema, "Barcelona", de Giulia e Los Tellarini, caracteriza a atmosfera do filme, o tempo todo. É uma abordagem sobre o amor, as relações do puritanismo e materialismo contrapondo-se. Poético conto delicioso cinematográfico.

Vicky Cristina Barcelona (EUA, 2008)
Direção de Woody Allen
Roteiro de Woody Allen
Com Scarlett Johansson, Javier Bardem, Rebecca Hall, Penélope Cruz, Chris Messina, Patricia Clarkson

32 opinaram | apimente também!:

Por que você faz poema? disse...

Não quero soar repetitivo,
mas este é o melhor filme de Almodovar dos últimos anos.

Dan disse...

Eu adorei o filme. apesar de achar que Allen foi muito almodovariano. Não sei se tive essa impressão pelas cores, pelo Javier e a própria Penelope ou por Barcelona em si...
Mas enfim, gostei!

E a musica, ficou entre as minhas espanholas preferidas!

:)

Juliana Barbosa disse...

Já havia passado da hora de vc apimentar este filme MAGNÍFICO!

Até eu já falei dele no blog.. vc já viu? enfim,

Brilhante como sempre!

Amei!

AMO ESTE FILME!
Gostaria que vc pensasse em apimentar tubarão, pois vi num documentário que ele ficou UM ANO NOS CINEMAS!

Achei incrível,e de fato foi revolucionário para época!

No mais,
AMEIIIIIIIIII ESTE POST, MEU FAVORITO!

cleber eldridge disse...

Sem dúvida esse é um filme muito sensual, mas se trattando de Allen, esperei algo muito maior, e acabei me decepcionando, sem contar que aquele OSCAR pra Cruz foi bem injusto.

Amanda Aouad disse...

Não sou tão fã dessa investida de Allen. A narração over me incomoda profundamente nesse filme, mas Penélope Cruz transborda emoção com sua Maria. É um bom filme, nada mais que isso, em minha humilde opinião.


bjs

Amanda Aouad disse...

Ah, só completando, o melhor filme de Allen para mim é Match Point. Apesar de adorar A Era do Rádio.

bjs

Mirella Santos disse...

É verdade mesmo, o enredo parece ser uma observação do cotidiano. Eu ainda não vi, mesmo pq não curto os filmes de Woody Allen, mas esse parece quebrar os próprios paradigmas de Allen, fiquei curiosa agora pelo filme. Ótima resenha Cris. Beijos

Marcelo R. Rezende disse...

Um dos filmes mais gostosos que eu já assisti.
Não sei o que acontece comigo e com Scarlett, mas ela entra em cena e eu hipnotizo. Com Penépole é a mesma coisa, só que o que me tira a atenção, diferente da loira e sua boca, é o cabelo e o olhar.
Junta as duas e tempera com o Barden - que numa próxima encarnação será meu marido, espero isso - dá uma delícia de filme.

Amo, recomendo.

DiogoF. disse...

Obrigado pela visita ao meu blog.

Gostei muito do teu, e gostei muito do texto desta primeira crítica que li, Vicky Cristina Barcelona. Um filme de que gostei muito, o melhor de Allen desde Match Point.

Fernando disse...

Adoro essa coisa pega pega putaria de 3. To tao a trois por esses dias! Esse filme eh adoravel... adoro o geito gostosao dele de "sou picudo mesmo"... sedutor.
Vale a pena!

Tania regina Contreiras disse...

Só é feliz quem arde de desejo?

pesquei uma de suas perguntas nomeio docomentário. Será? :-)
Quem sabe assisto no próximo feriado?
beijos

O Ilusionista disse...

Primeira vez aqui no blog!
Já estou seguindo, gostei muito.
Já vou procurar por alguns filmes para assistir como este de Woody Allen.

joyce domingos disse...

este filme é um verdadeiro tesão!
despretencioso,leve,engraçado e quente!

scarlet está mto sexyyy,minha musa,minha diva...javier tbm,efervescente!

uma penelope cruz insana e igualmente sexy...

ai,amo esse filme,o melhor de woody :)

bjka

Kamila disse...

Adoro a forma como Woody Allen fala de amor neste filme. Ele fala sobre este sentimento com a experiência que alguém da idade dele tem. Eu, particularmente, me identifico demais com a personagem de Rebecca Hall e concordo com quem disse que a obra é totalmente Almodovariana!

Marcio Nicolau disse...

Não consegui concluir a leitura deste filme. O que será que se deu comigo?

david era uma vez... disse...

Meu deus!!
Descobri que preciso assistir esse filme de novo.. não lembro de quase nada!!! Eu odeio minha memória, sou um quase ex-usuário de gardenal (daqui 1 semana serei um totalmente ex-usuario) e isso faz com que minha memória seja uma desgraça!
Me aguarde, daqui um mes, vou começar re assistir uma pancada de filmes e vou utilizar seu blog como guia!!

Beijos meu amimgo

M. disse...

Sou obrigada a concordar com as primeiras pessoas que comentaram aqui. Temos nesse filme um Woody Allen chegado ao estilo Almodóvar. O filme é toda essa maravilha técnica e cinematográfica. É extamente tudo o que você escreveu sobre ele. Só você consegue transmitir o que muitas pessoas sentem pelo filme e compreendem de forma sutil; sua arte é transformar em palavras toda essa compreensão. Aliás é muito mais que isso, por isso que adorovo vir aqui.

pseudo-autor disse...

Dos últimos do Allen, esse e o Match Point são disparados os melhores. E é sempre inebriante ver o Javier Bardem trabalhar. Que ator fantástico!

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Elton Telles disse...

Não tenho nem o que acrescentar rs. Só vou ressaltar: também adoro "Vicky Cristina Barcelona", um Woody Allen delicioso e irônico como sempre.

e Penelope Cruz povoa meus sonhos enquanto estou acordado rs. Que personagem sensacional! Presente pra qualquer atriz, aliás, correção: os filmes do Woody Allen são presentes pra qualquer ator.


abs, Cris! o/
mais uma vez, arrasou!

leo disse...

Filme delicioso,com simplicidade Woody Allen fala de amor de forma bela.
Penélope Cruz dá aula de interpretação.

Thomaz Ribeiro disse...

As suas leituras ultrapassam o limites da arte cinematográfica. São leituras do humano, com tudo que tem de bom e ruim.

Leco Vilela disse...

O mais legal desse filme é o jogo de sedução que permeia durante todo o filme.

Mas confesso que eu achei bem fraco, mesmo concorrendo prêmios...

BRENNO BEZERRA disse...

Faço minhas as palavras do Elton Telles.

Catarina Norte disse...

Gostei muito do filme. A abordagem de Woody Allen ao amor, à paixão, ao sexo é inebriante, quer pelas imagens da bela e quente Barcelona, quer pelas interpretações de Pénelope Cruz, fogosa, irracional, impulsiva, e de Javier Barden!
Ainda sim, desta fase europeia de Allen prefiro Match Point!

(como sempre, um óptimo texto e uma extensiva e sentida análise do filme :) )

Abraço

LuEs disse...

Devo dizer que gostei muito, muito mesmo do que li aqui.

Embora eu não seja fã de comédias românticas e nem seja um grande fã dos atores do elenco desse filme, devo dizer que a junção deles com Woody Allen resultou numa obra singela e, ao mesmo tempo, profunda, de cerne intimista. Dentre as perguntas que você usualmente faz nas suas resenhas, gostei especialmente de duas: é mais feliz quem arde de desejo e qual é o sentido da fidelidade. Até porque o espetctador fica o tempo tempo se perguntando se Cristina é mais feliz do que Vicky, já que ela se entregou a uma paixão enquanto a outra se tortura por não tê-lo feito, mantendo-se fiel ao seu relacionamento.

Gostei também de como descreveu o personagem de Barden. Sua definição, decerto, foi uma das melhores que eu já li: ele é tão seguro que nem sequer esconde as suas segundas intenções.

Parabéns, pelo seu texto.
;D

Luciano Carneiro disse...

Belíssima análise desse filme que eu amo de paixão. Adoro a elegância de VCB, o humor deliciosamente sutil e o erotismo invejável daqueles personagens e daquela cidade. Fora que rola toda uma discussão (também sutil) da diferença entre americanos e europeus quanto a visão de temas como sexo. Adoro a cena em que a Scarlett Johansson conta para o marido da Rebecca Hall que ela mantinha um caso com a Penélope Cruz, e ele fica chocado.
Enfim, parabéns pelo texto!

thevortexofsenses disse...

O maior mérito deste filme sem sombras de dúvida foi Allen ter seguido uma linha diferente de seus filmes anteriores. E funcionou muito bem! Acho que muitos não gostaram justamente por causa deste detalhe, mas eu particularmente adorei a ousadia de Allen.

Grande filme!
Abraços!

Renato Tavares Mayr disse...

Acredita que esse foi meu primeiro "Woody Allen"? Vi no cinema com a vó, e os dois saíram mais alegres, leves e de bom humor... A mágica do cinema permeia toda a obra, é quase uma lavagem cerebral, você entra estressado e sai uma pluma...

Grande texto!

Foose disse...

É sempre bom ver um filme com cenário diferente, longe dos costumeiros de Hollywood principalmente de Nova York. Mostra as belezas de Barcelona com uma trama que prende. As atrizes estão ótimas. Um filme que com certeza você verá mais de duas vezes!:-)

Um grande abraço....

Gisela Brum disse...

Adorei o filme e a tua análise!Parabéns! Recomendo também o último filme de Woody Alen, "Tudo pode dar certo" ele retorna à Nova Iorque com uma excelente narração.
Adorei o teu blog.

Brenno Bezerra disse...

Concordo com Isabela Boscov quando diz Allen brincou muito bem de ser Almodovar. Grande filme, com um merecido Oscar para Penélope Cruz

J. BRUNO disse...

Sem dúvidas é um de meus favoritos de Woody Allen, só o fato de juntar duas das minhas atrizes favoritas em um mesmo filme já valeria a pena, mas ainda tem o excelente roteiro, o ritmo, a trilha sonora, as locações... Dá vontade de ir correndo para Oviedo!
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A Penelope, cara que tesão de mulher!!!!!

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