Perversões Femininas

Há certos tipos de abordagens que se sustentam apenas no erotismo para ter sucesso. Garotas Selvagens exerceu uma polêmica em seu período de lançamento pela temática picante, diversas reviravoltas e cenas com contextos libidinosos dos personagens. Na cidade de Blue Ray, na costeira da Flórida, o professor Sam Lombardo (Matt Dillon) é sexy professor que atrai todas as garotas da região. É através dele que o filme, dirigido por John McNaughton, exerce seu princípio apelativo. É este homem, bastante desejado pelo sexo feminino, charmoso e sexualizado, que se envolve numa trama tensa, onde nada é o que parece ser. O professor recebe acusações de duas jovens: A mimada garota da elite social, Kelly Van Ryan (Denise Richards) e a rebelde Suzie (Neve Campbell) dizem ter sido vítimas de estupro. Ao afirmar que é inocente, Sam tem que provar que não existiu a consumação do sexo — muito menos houve possibilidades para um envolvimento afetivo dele com essas garotas. É então que o investigador Ray Duquette (Kevin Bacon) entra nessa polêmica para averiguar essas acusações que demonstram ser duvidosas; além disso, o advogado Ken Bowden (Bill Murray) acredita na versão do professor e atesta sua defesa. Qual será a razão dessas garotas terem criado essas acusações? Qual sentido há por trás dessa polêmica? A trama aproveita-se desse sentido para introduzir elementos misteriosos, policiais e sensuais. O sexo torna-se o foco neste filme que prioriza a sensualidade de todas as formas, talvez por isso tenha atraído tantas discussões.

O filme mantém a sexualidade em ebulição ao direcionar uma trama onde os personagens — principalmente, as tais garotas Kelly e Suzie — mantêm personalidades dúbias, ainda mais por conta da maneira como os comportamentos expressam tom da sexualidade bastante transgressora. As garotas são maliciosas, há diálogos chulos que demonstram a órbita sensual de tais personalidades libidinosas. Há um roteiro que se direciona ao público masculino, para tanto há dezenas de cenas que exploram ao máximo os corpos torneados e excitantes do elenco feminino, em especial de Denise Richards que aqui cumpre o papel da garota de corpo perfeito, tão assediada/desejada por todos. Até a mãe da personagem de Kelly exerce uma função sexual: Sandra Van Ryan (Theresa Russell) transa com garotos 20 anos mais novos, é a típica mulher que, após o divórcio, prefere sexo casual a relações mais afetivas. Conseqüentemente, o filme abusa também dessa personagem, evidenciando seu corpo ou na provocativa cena em que ela transa com um garoto, aos gemidos.

Discute também a questão do assédio sexual, levantado pelas garotas principais — mas serão elas, de fato, as vítimas da situação? Ou há muita perversão escondida por trás desses fatos? Matt Dillon representa o professor sarado, sedutor e que sofre assédios constantes de alunas dispostas a uma transa casual. É o homem que atrai olhares de todas as mulheres, o garanhão que consegue a fêmea que quiser. E o roteiro mostra esse homem sendo alvo de sedução de Kelly — a constante malícia em cenas onde a garota se insinua em troca de olhares, gestos, diálogos dúbios e/ou quando ela se oferece para lavar o carro dele, molhada da cabeça aos pés, em trajes brancos quase transparentes. A questão inicial até a metade do filme é o assédio latente, a sensualidade e a malícia. Da metade pro final, o roteiro assume um contexto mais de suspense quando as reviravoltas passam a ser freqüentes. E são inúmeras surpresas que permeiam a trama. Há contextos de estupro; promiscuidade; infidelidade e traições. A maneira como os personagens desejam o sexo são evidentes, não há nada moderado — curioso que nem o roteiro parece sustentar uma mensagem moral, mas sim só se predispõe ao lado irônico.

Famoso pela seqüência de sexo a três, protagonizado pelo trio Matt Dillon, Denise Richards e Neve Campbell — obviamente, é o momento mais quente e sensual do filme, onde os três envolvem-se num sexo ousado e o tal beijo lésbico das duas é escancarado. O menage à tróis foi bem polêmico, ainda mais por ser uma cena que caracteriza o soft-porn. Há ainda breves momentos sensuais protagonizados pelas duas mulheres, como uma forma de sustentar uma ousadia sexual ao público masculino que gosta de ver cenas de lesbianismo; puro deleite aos olhos mais ansiosos por cenas de sexo entre mulheres. De fato, Richards e Campbell demonstram um bom traquejo sexual em cena que emula uma enérgica febre diante da limitada trama. E o roteiro ainda decide ser mais malicioso, buscando outros públicos, ao expor Kevin Bacon numa rápida cena de banho, onde o ator aparece totalmente nú. Inclusive, a tal cena, inicialmente, teria conotação homossexual: Bacon tomaria banho com Dillon, mas o roteirista cortou esse senso na produção do filme. Talvez, por medo de aumentar mais a polêmica. Decerto, o abuso sexual nesse filme torna-se constante, assim como as reviravoltas, como um exemplo de alternativa banal de atração e sucesso. O que parecia ser um drama diante do mote inicial de estupro, torna-se apenas uma overdose sexual na mão do diretor John MacNaughton que comanda seu filme insano e preenchido pelas já dita reviravoltas que são incessantes. Mais que um entretenimento sobre a perversão sexual, é um thriller-erótico que pelo menos reflete bem a modernidade adepta ao sexo casual; das mazelas amorais que caracterizam a perversão humana quanto à sexualidade.

Wild Things (EUA, 1998)
Direção de John McNaughton
Roteiro de Stephen Peters
Com Matt Dillon, Kevin Bacon, Neve Campbell, Denise Richards, Theresa Russell, Bill Murray.

20 opinaram | apimente também!:

! Marcelo Cândido ! disse...

Quente ao extremo, já conferiu as continuações?

Fernando Fonseca disse...

Ousado, sexy e horrível. Como filme de Cine Privê cumpre a função com louvor. Matt, Neve e Denise esbajam sexualidade a cada quadro. Seus personagens vivem do sexo pelo sexo. Tudo é efêmero e instável. As reviravoltas enchem o saco. O roteiro é um lixo, afinal, o tal estupro serve apenas de desculpa para uma trama diferente e sensual. Sinceramente, quando o diretor percebeu que já tava tudo perdido, poderia ter deixado a cena de banho entre Kevin e Matt, teria sido bem mais interessante e agregaria mais um grupo de fãs desse festival sexual que é Garotas Selvagens.

Tiago Britto disse...

Me interessei muito. Gosto do elenco e você sabe que não assisti ainda né? hahha ABS!!!

renatocinema disse...

Faz tempo que assisti o filme. Mas, lembro de ter adorado as cenas ousadas e as reviravoltas da trama.

Os momentos sensuais entre os três realmente é espetacular e o destaque maior de um belo filme que tem um ótimo roteiro.

Rodrigo disse...

Nunca vi, mas seu texto realmente me cativou. Devo procurá-lo. Abraços.

Kamila disse...

Esse filme é igualzinho a "Segundas Intenções". Só presta essa primeira parte. As continuações são uma PORCARIA! rsrsrsrs

Ricardo Morgan disse...

Como havia dito pra você no MSN, tem mais de 10 anos que vi esse filme. Lembro que gostei na época por ser picante e ter um tema interessante, que, por sinal, lembra muito a idéia de "Assédio Sexual", filme bem comentado por você aqui no Apimentário. É engraçado que, depois deste filme, as carreiras de Denise Richards e Neve Campbell não decolaram para o sucesso artístico.

Abraços

Mirella Santos disse...

É raro, mto raro eu ter visto umd os filmes que vc apimentou e esse é mais um que eu nem lembro dessa polêmica toda, mas o enredo é bacana, acho que por causa de alguns clichês talvez, optaram por cenas mais ousadas e deu certo. Agora fiquei curiosa pra conferir. Abraços!!!!

Cristiano Contreiras disse...

MARCELO CÂNDIDO: Eu achei essas continuações desnecessárias. Ainda mais que a produção, elenco e direção são outros. Desnecesssário mesmo.

FERNANDO FONSECA: Esse filme cumpre com seu teor sexual, aliás exagera até. As reviravoltas são insanas demais, no final são tantas que é capaz de o espectador se irritar com isso. E eu também acredito que o diretor poderia ter feito e ousado na cena de homoerotismo masculino deste filme, acho que ele teve medo.

TIAGO BRITTO: Ah, se puder confira, mas sem pressa.

RENATOCINEMA: Eu revi recentemente, mas confesso que as reviravoltas me incomodaram demais, viu. Os momentos sensuais são força de atração, de fato.

RODRIGO: Procure, sim. Depois, me fale o que achou, tá?

KAMILA: Ao contrário deste, 'Segundas Intenções' é bem mais interessante e o elenco, bem como o roteiro, são bem mais delineados. Mil vezes este que 'Garotas Selvagens'. E, concordo, as continuações sempre são péssimas!!!

RICARDO MORGAN: Eu acho que você pode encontrar algo bom neste filme, quando revisá-lo, mas lembre-se: não tem nada demais, apenas o sexo apelativo e as reviravoltas como forma de sustento. Bem verdade, Campbell nunca conseguiu fazer filmes de forte sucesso, sem ser o 'Pânico', hein? abs

Renato Tavares Mayr disse...

Adorei seu texto! Morro de rir com esse filme, pelas reviravoltas seguidas de reviravoltas. E, falando nisso, é impressão minha ou você fez a mesma coisa, repetindo a palavra "Reviravoltas" exaustivamente? Como uma sátira? Se não, então abafa o caso, =P

De resto, a cena das duas na piscina é boa, o menáge é interessante, e o filme é uma merda...

Abraço, e sucesso!

Willian Lins disse...

esse primeiro é mil vezes melhor que o segundo! gosto muito!!!

beijo, chato!

Dilberto L. Rosa disse...

Teu texto foi bem a mais do que o filme merecia, meu caro: uma bobagem que começa provocadora e interessante, mas que descamba para todas as apelações possíveis (e ainda querias homossexualismo masculino?! Rs. Aí mesmo é que a lambança estaria completa!), de cenas picantes fáceis (adorei a citação de um dos comentadores ao "CinePrivé", ré, ré) a reviravoltas, como bem disseste, "insanas", tolas e completamente desnecessárias... Enfim, falemos de filmes melhores: mas o teu texto, impecável! Abração!

Mayara Bastos disse...

Não gosto desse filme, prefiro "Segundas Intenções". As sequências são piores mesmo, de ambos, rsrs.

Beijos! ;)

Juliana Barbosa disse...

Clássico do gênero!

Adorei,marcou super minha juventude! O primeiro geralmente é melhor que o segundo,neste filme não foi diferente....

Otavio Almeida disse...

Tenho certeza que é por causa de Denise Richards que Charlie Sheen está assim hoje. Eu teria o mesmo destino.

Natalia Xavier disse...

Não assisti este filme, mas lembro que na época foi super polemico, pelo menos pra galera que assistiu e tinham a mesma idade que a minha, rs.

Bjs!

docerachel disse...

Amei, é realmente miuto intenso.

Mateus Selle Denardin disse...

Quem viu o filme sabe que a questão envolvendo "abuso sexual" é apenas um truque do roteiro. As reviravoltas são tantas (tantas, tantas mesmo, que se seguem aos créditos finais), mas o filme é tão bom que elas nem chegam a incomodar. Adoro!

cleber eldridge disse...

UAU! Ressurgiu um filmaço, eu adoro esse filme, ele é bem sensual, bem tenso - o elenco está ótimo! E o Matt Dillon, CRUEL hahahaha!

Marcus Cramer disse...

Gosto desse filme pelo charme enorme que ele tem e as reviravoltas super divertidas.

Muito boa a sua análise. Parabéns.

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