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Teste de Infidelidade?

A traição é um provocante estímulo pra destruição de um relacionamento; dos abalos da carne; dos sentimentos em conflitos extremos. O ser humano não consegue ter o eixo de seu destino quando sofre pelo poder da tentação? O Preço da Traição exerce uma demonstração de como há indivíduos que podem ceder aos impulsos libidinosos da luxúria. E como o senso da traição provoca também a insegurança, o desatino, o aspecto da euforia traiçoeira da perdição do desejo. Catherine Stewart (Julianne Moore) é uma ginecologista bem-sucedida profissionalmente, mãe de Michael (Max Thieriot) e mantém um casamento conformado, mas amigável, com o professor universitário David (Liam Neeson). Obviamente, esse aspecto é logo construído para sofrer o abalo providencial da sexualidade no filme - Chloe (Amanda Seyfried), cujo personagem representa o título original do filme, é a figura da sedução, do desejo e do impacto destrutivo que exerce na família. Ela é uma prostituta de luxo, usa de sua beleza e do alto poder persuasivo do sexo para obter qualquer coisa. E é essa mulher misteriosa que vai servir de auxílio ao universo padrão conservador da vida de Catherine - esta, ao desconfiar que o marido a esteja traindo, decide contratar os serviços sexuais de Chloe. O roteiro de Erin Cressida Wilson articula-se do texto original, refilmagem do "Nathalie X", tem direção do egípcio Atom Egoyan que consegue sustentar um filme onde o sexo é seu princípio primordial, alicerce orgasmático. A dúvida estabelecida pela personagem principal, Catherine, é a mesma percepção do espectador ao ver o filme: será que ela é traída realmente pelo marido? Como testar, então, a fidelidade dele? É então que esta polêmica é atiçada por Chloe - uma prostituta bela, provocante, sexualmente perversa pode testar tudo isso? Como confiar na lealdade de alguém?

Por pautar questões inerentes aos aspectos da infidelidade, das inseguranças provenientes de um relacionamento conjugal já frágil, o filme coloca a relação da traição como algo a ser refletido. Será que um casamento sem sexo constante, cumplicidade e com o frescor do desejo pode ser sinônimo de caos? O que fazer quando uma relação não tem mais química sexual ou mesmo um elo sentimental? Catherine é a esposa que demonstra insegurança ao observar um marido ausente, introspectivo, que parece flertar com outras mulheres - a desconfiança surge quando ele perde o vôo de volta a sua casa e falta a festa de ‘aniversário surpresa’ que ela concebeu para ele. Eis que o tormento, o medo de ser trocada por outra, faz com que a angústia tome conta de si. Catherine contrata a prostituta Chloe para seduzir - mas, será correto um ser humano usar de todas as formas possíveis para testar o caráter de outro? Como saber se alguém é fiel contigo? O diretor Egoyan mostra o fracasso familiar que é a vida dessa ginecologista que não consegue nem manter um diálogo próximo com seu filho Michael, muito menos se aceita plena intimamente para seduzir seu marido. Eis a crise da meia-idade? É o paradoxal, uma ginecologista que não consegue entender sua própria sexualidade, nem seu universo feminino.

O tom sexual atinge uma maior proporção quando o conflito entre Catherine e Chloe é evidenciado. O frisson erótico do filme torna-se sustentável, a garota de programa passa a imergir sexualmente na vida da médica. É quando o senso de provocação libidinoso cresce. Chloe seduz e envolve-se com Catherine. O roteiro mostra como a garota consegue manipular e instigar a luxúria ao seu redor - detentora de um poder sedutor violento, ela atordoa Catherine até quando narra seus flertes e encontros com David. Há uma relação estranha de ódio e desejo obscuro? Ainda que Catherine sinta-se aflita por saber que seu marido a trai, ela não consegue deixar de ter um tesão pela prostituta que modifica toda sua vida - excita-se com suas histórias dos encontros secretos com seu marido, enquanto estimula um interesse pela moça. É então que nasce uma relação lésbica? O que parece ser um estudo sobre infidelidade, reflete num jogo obsessivo quando Chloe parece nutrir um desejo possessivo e destrutivo por Catherine. O que parecia uma teia dramática de traição atinge um percurso de paranóia sexual - o que esconde essa prostituta? Será que tudo que ela diz é verdade? Atrás de toda essa perversão há mentiras? Amanda Seyfried convence como uma sedutora psicótica; Julianne Moore retrata bem uma mulher a beira do colapso de nervos por ser traída e por ser alvo de desejo.

Onde a libido faz todo o sentido nesta abordagem de sedução, dá pra compreender a razão do título original do filme - Chloe é a personagem que insere questões de sexualidade; de desejos e segredos da perversão da luxúria; do teor da loucura de alguém determinada pelo tesão. A mulher que serve de teste ao provável adultério do marido de Catherine, é a mesma que age pelo seu vício possesso. Chloe é enérgica sexualmente, a ponto de usar até do próprio filho de Catherine (um adolescente em fase de ebulição sexual, se sente atraído por qualquer mulher que possa lhe proporcionar fácil orgasmo) para conseguir sua mãe. Qual razão de tanta obsessão sexual? Este pequeno filme retrata, através de seus personagens, a deturpação dos sentidos humanos - o sexo pode mesmo colocar o que há de mais frágil na humanidade? O sexo destrói tudo que é coerente? Interessante que todos os personagens parecem estar rodeados pelo sexo - em anseios, percepções e atos. A cena onde Chloe transa e masturba Catherine num quarto escuro é bastante ousada, excitável. Boa atmosfera sensual adotada, sutileza picante, ao mostrar os seios intumescidos e gemidos femininos. Não é um filme avassalador, mas seu pequeno recorte representativo proporciona uma boa reflexão sobre a traição, os sentimentos destroçados e desejos reprimidos.

Chloe (EUA, 2009)
Direção de Atom Egoyan
Roteiro de Erin Cressida Wilson, baseado no argumento de Anne Fontaine
Com Amanda Seyfried, Julianne Moore, Liam Neeson, Nina Dobrev, Max Thieriot

26 opinaram | apimente também!:

gabriel disse...

adorei seu texto, parece ser um filme bastante envolvente. há tempos vejo esse filme nas locadoras, mas sempre há outro na frente. bem, ao saber agora da história e que ele contém a ótima Julianne Moore, ele já é um dos próximos. vou conferir o mais rápido possível, gostaria muito de ver Moore e Seyfried juntas.
abraços (:

Mente Hiperativa disse...

Esse filme é MUITO BOM!!!

Luiz Santiago disse...

Interessante ver como alguns críticos abandonam a análise que vai da psicanálise aos motivos dramáticos, ficando apenas na técnica viciada. Por isso esse teu texto me alegrou bastante. Não só com uma visão global cinematográfica, mas com um ótimo olhar fixo para os motivos internos, você conseguiu dissecar o filme.

Parabéns pelo ótimo texto.

p.s.: rapaz, não consigo te ver online no msn. E não sei se você recebeu minhas outras duas (ou três?) mensagens.

Amanda Aouad disse...

A personagem de Julianne Moore dá nos nervos, nem parece que a mulher tem amor próprio. Amanda Seyfried é mesmo a alma do filme. E conduz os dois direitinho. Mas, no geral, achei o filme meio blasé. Tem mais emoção e sedução no seu texto que na tela, hehe.

bjs

P.S. Quero ver você participando do Natal Solidário que lançamos, heim?

Wally disse...

Acho que concordamos sobre o filme, é bem isso mesmo. Uma reflexão interessante e uma obra curiosa, mas não é um grande filme. E também achei ousado o retrato, algo já esperado do Egoyan.

bruno knott disse...

Caramba, faz tempo que quero ver esse.... belo elenco e acho o Egoyan um bom diretor.

Teu texto me deixou mais curioso!

ABraços!!

Talles Azigon disse...

poxa fiquei com vontade muitode vê

e olha aluguei uma lista pra esse fim de semana

A single Man

Milk

Shelden ( de repente Califórnia)

os Normais 2

Edson Cacimiro disse...

já tentei ver várias vezes esse filme mas nunca consigo.
bjs

Pedro Henrique disse...

Um Atom Egoyan é sempre interessante, mas não vejo o tom tão outras vezes "avassalador" de seus outros filmes. E também não acredito que uma atriz (no caso Moore) seja sinônimo de um bom filme, como queriam vender alguns defensores do filme quando de seu lançamento.

Júnia disse...

Não gostei muito do filme, juro que esperava mais...

M. disse...

E eu que ainda não assisti. Mais um para o meu caderninho de filmes "não-assistíveis" ahaha... Um abraço e ótima semana.

Renato Tavares Mayr disse...

Não gostei muito do filme, mas o seu texto me deu vontade de assisti-lo novamente... Muito bom!

E, parece desculpa esfarrapada, mas... To de mudança, por isso dei uma sumida(de novo...), mas fica tranquilo que longo voltarei a comentar em tempo recorde.

Renato Tavares Mayr disse...

Não gostei muito do filme, mas o seu texto me deu vontade de assisti-lo novamente... Muito bom!

E, parece desculpa esfarrapada, mas... To de mudança, por isso dei uma sumida(de novo...), mas fica tranquilo que longo voltarei a comentar em tempo recorde.

Thiago da Hora disse...

Nunca mais deixarei de acessar o perfil de quem comenta no meu blog. Fiz isso com você e olha só o que perdi... um ótimo blog!

pseudo-autor disse...

O filme é bom, mas o Egoyan adora estragar o final dos seus filmes com um tipo de tensão que, muitas vezes, não se justifica! E essa menina, Amanda Seyfried, qualquer um cai na tentação com uma mulher dessas.

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Adri Ferreira disse...

ESSE FILME É MESMO MUITO BOM... PARABÉNS PELO BLOG! BJOS

alan raspante. disse...

Prefiro o frânces "Nathalie X", este filme apenas usa o sexo para suas cenas de nudez descabida. Enfim, só gosto do elenco.

...

Kamila disse...

Ainda não assisti a este filme, mas estou doida para conferir, ainda mais porque tem a Julianne Moore, atriz que eu tanto adoro.

Ro disse...

Eu nao gosto mto de filmes, mas confesso q fiquei curioso em assisti-lo

Dan disse...

Adoro a Julanne Moore a Amanda Seyfried é linda mas, do filme, confesso que não gostei muito.

Reinaldo Glioche disse...

Não sei se há todas essas questões no filme não. Certamente não é apenas um remake de Nathalie X. O preço da traição a dado momento se divorcia de seu filme original e cria uma atmosfera própria como vc bem aludiu. Acho que há um forte estudo sobre os desmandos da sexualidade (principalmente pelo aspecto feminino)e acho que Egoyan alcança resultados satisfatórios, apesar de enveredar a trama pela obviedade do thriller.
Grande abraço Cris!

cleber eldridge disse...

Só vi o trailer, que nãoi me despertou interesse, mas, como o diretor sempre surpreende e muito pela Moore irei conferir.

Elton Telles disse...

Olá, Cris!

Lembro que quando assisti a "O Preço da Traição", lembrei imediatamente do Apimentário. Não sei se você recorda, mas embora tenha achado o filme super desnecessário, recomendei que tu fizesse um texto a respeito. =)
e, como de hábito, ficou muito bom!

Mas tenho algumas ressalvas rs. É questão de gosto, obviamente, e acho as sua "persistência" e senso de observação, algo louvável, mas você realmente achou que o filme proporciona uma reflexão sobre a traição? Nossa, eu achei tããão chinfrin, com cenas tão gratuitas e arranjadas com o próposito de criar suspense. Acho que tu viu coisa onde não tem rs, ou, assim como eu, tentou enxergar. Você, ao menos, viu alguma coisa; eu só vi um thriller erótico pobre digno dos anos 90 xDDDD


abs! o/

Silvano Vianna disse...

Achei esse filme muito ruim, muito fraco o roteiro confuso a história bem sem pé nem cabeça...péssimo.

Guilherme Zimer disse...

Eu adorei esse filme. Achei a trama envolvente e os minutos finais reveladores. Juliane Moore, como sempre, se entrega ao personagem e é possível sentir a mesma angústia que ela.

Gostei do teu blog e to seguindo. Por favor, visite os meus

http://acervodocinema.blogspot.com
http://memoriadasetimaarte.blogspot.com

Gabriel Fabri disse...

Olá! vc falou pra comentar no seu texto mais recente, mas vi nas postagens recomendadas o link para essa e achei mais propício comentar sobre 'Chole', sendo este um dos meus filmes favoritos.

achei a sua análize muito boa, você trabalha muito bem com as palavras. Amei o jeito que você traduziu as questões do filme, deu vontade de revê-lo!

voc~e chegou a ver Natalie X?

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